Posted 2 years ago

Mudamos de endereço

Esse site deve ser - no mínimo - a minha quarta tentativa de fazer um blog. Talvez isso soe como se estivéssemos em 2003, mas quem vos fala acredita que nesse ano as coisas estavam melhores. Palavras de uma nostálgica.

Talvez você, caro leitor, pense que alguém que já fez quatro blogs que não tiveram mais de 10 leitores, não terá muito sucesso fazendo um quinto. É verdade, mas depois de certo tempo, você acaba percebendo que esse Tumblr é mais para autora do que pros 10 leitores. 

Clique aqui para ir para quinta tentativa frustrada de fazer um Tumblr

Posted 2 years ago

Mulherzinha!

                             

Mulher de vez em quando gosta de encarnar a mulherzinha, aquele espírito maldito que desce de vez em quando pra fazer a gente se sentir super tudo e nada ao mesmo tempo. Tipo quando você acabou de sair da sessão semanal de cabeleireiro (se você tiver paciência de ir) e fica se achando gostosíssima; esquece que não nasceu pra ser loira-burra. O pior de encarnar a mulherzinha não é ter como objetivo supremo homens aos seus pés e aura de sereia. O pior é quando a gente para pra ler o jornal e lembra que o mundo tá em guerra e a economia tá uma merda. Aí bate aquele pesinho na consciência e a gente se sente mal por ficar preocupada com o número de homens que a gente tá tentando beijar enquanto as criancinhas estão morrendo no Sudão e coisa do tipo.
Acontece que existem mulheres que não encarnam essas mulherzinhas, elas são as próprias. O tipo de gente que nós vemos nas revistas de fofocas (ai, que coisa de mulherzinha), na balada, na faculdade, no ar e por todos os lugares, e que não entende que o mundo não vai acabar se a sua unha quebrou ou se o cabelo tá estático por causa do tempo.
Tudo bem, de vez em quando é legal encarnar uma dessas e virar afemme fatale porque você se encheu de ser a encalhadona, mas E A CABEÇA, MULHERADA? Devia existir centro de reabilitação para este tipo de gente. E eu não tô falando só de mulheres não, tem muito homem encarnando a mulherzinha também. Sabe aquela frase bonitinho, mas ordinário? Nossa, perfeita para esse estilinho de humanóides.
Por quê eu tô com tanto ódio nesse meu coraçãozinho? Quero ver se esqueço um pouco os anúncios de revistas recheados de mulheres lindas e se fico menos deprimida com a minha aparência estilinho-ai-como-sou-fora-do-padrãozinho (SAI, MULHERZINHA).

MARPEDICE, Ana Ísis. O2neurônio — do it yourself. 6 ago. 2002.

Posted 2 years ago

Comunicado aos vizinhos

          

Começar uma prosa com imagens agradáveis é altamente recomendável, aponta estudo.


Sou aquele tipo de pessoa que tem medo de tudo, a.k.a criança-de-prédio e não me importo que as pessoas dizem que sou assim, porque realmente sou. Na liderança das coisas mais medonhas (para mim, pelo menos) estão os integrantes do Filo Arthropoda - o que inclui baratas, taturanas, aranhas, abelhas, bichinhos asquerosos… 

O ponto crítico dessa situação é que a minha convivência com os insetos está crescendo vertiginosamente, como se já não bastasse uns ou outros passarem uma temporada aqui em casa. Creio que é isso o que torna a Entomofobia um pouco mais tratável: o fato de você ter de encará-lo todos os dias; no caso de fobia de palhaços, a coisa é diferente ao menos que veja um palhaço todos os dias. E o tratamento já está fazendo efeito, assim que comecei praticamente a matar qualquer formiga que aparece por perto.

Mas, chega um momento em que você se cansa de ficar correndo com uma raquete elétrica para matar as criaturas voadoras, e se rende a dedetização. Particularmente, acredito que seja um negócio substancialmente rentável, visto que segue uma lógica capitalista entre vizinhos: se a tia da frente lança Baygon pela casa, os insetos realizam uma espécie de êxodo para o conforto do seu lar; uma espécie de competição para ver quem consegue realizar o maior programa de migração para a casa do vizinho. 

Já estou na fase cansei-de-perseguir-mosquinhas-e-contratar-lagartixas-para-fazer-o-trabalho-por-mim. A dedetização será no carnaval, aviso aos vizinhos.

Posted 2 years ago

Monóxido de carbono

Hipster-mor

"While mainstream society of the 2000s had been busying itself with reality television, dance music, and locating the whereabouts of Britney Spears’s underpants, an uprising was quietly and conscientiously taking place behind the scenes. Long-forgotten styles of clothing, beer, cigarettes and music were becoming popular again. Retro was cool, the environment was precious and old was the new ‘new’. Kids wanted to wear Sylvia Plath’s cardigans and Buddy Holly’s glasses — they revelled in the irony of making something so nerdy so cool. They wanted to live sustainably and eat organic gluten-free grains. Above all, they wanted to be recognised for being different — to diverge from the mainstream and carve a cultural niche all for themselves. For this new generation, style wasn’t something you could buy in a department store, it became something you found in a thrift shop, or, ideally, made yourself. The way to be cool wasn’t to look like a television star: it was to look like as though you’d never seen television." - Matt GranfieldHipsterMattic

No primeiro dia do ano passado, era bacana dizer “Me lembro do ano passado como se fosse ontem!”. Achei legal; criativo - afinal, de contas nunca tinha pensado em algo engraçado e se encaixava com o contexto. Trezentos e sessenta e quatro dias depois, a frase foi taxada de brega pelos usuários do Twitter. Três cliques depois -  no Facebook - a sentença era praticamente aclamada pelos mesmos twitteiros que a condenavam, provando a incrível flexibilidade dos seres humanos em se adaptar em ambientes distintos.

A façanha amplia-se para outras dimensões de maneira semelhante. Se até o ano passado a moda era sair passeando com sua camiseta outdoor-de-marca-gringa, agora todos temos que ser hipsters. Dúvidas? Vide a sua dashboard: se esta conter astros de rock alternativo, pessoas fumando/ se drogando/ bêbadas, bigodes, brexos, um copo da Starbucks e Ray-ban’s, já sabe o conceito do termo. A flexibilidade no tempo-espaço.

Apesar de já existirem toneladas de blogs anti-hipsters, quero deixar bem claro que não sou contra essa nova tribo; só acredito que existam os pseudos-hipsters e esses irritam. Se você  é  aquele hipster meio comunista-carrego-um-livro-sobre-o-Che-Guevara, não faz sentindo sair por aí desfilando com o seu novo iPhone, tênis Vans e com nojinho de ônibus (afinal de contas, carro é propriedade privada, não é mesmo?!). 

Sei (não compartilho) a paixão de vocês por coisas retrô, Starbucks e bigodes. Novamente, não  é preciso fingir que comprou um vinil em um sebo no centro da cidade, sendo que comprou nas Casas Bahia: o som não é o mesmo? Próximo item: Starbucks. Compreendo que os frapuccinos são apaixonantes, mas porque um Ovomaltine do Bob’s não é tão fotogênico?  Quanto ao bigode, não tenha a menor ideia deste fanatismo. 

Já a tietagem enlouquecida por Beatles, Bob Dylan e artistas do gênero beira ao exagero. Desculpe, mas parecem com as Biebers fãs (aqui toquei em um ponto frágil). 

E - por fim - aquela vibe não-me-importo-com-a-vida-e-viva-a-maconha já está beirando o limite do suportável; emparelha-se também os filmes que ninguém conhece. Quase ia me esquecendo! Esse é um aspecto que realmente me enfurece: condenar quem não lê livros clássicos-filosóficos-inclui-Salinger ou então obras que estão no topo da lista dos mais vendidos da Veja.

Apenas alerto os hipsters-ecologicamente-corretos: cigarro libera CO.  





Posted 2 years ago
Posted 2 years ago

"Crucificaram os livros"

Rowling, Funke, Nabokov, Lewis, William P. Young, Niffenegger e outros convivendo em harmonia

Eu sempre fico incomodada quando começam a falar da falta de qualidade literária de determinado gênero. Embora eu mesma tenha meus preconceitos literários - que luto para vencer diariamente -, me incomoda muito como a literatura juvenil é vista por aí. Eu escrevo sobre literatura juvenil no blog, eu leio literatura juvenil, eu aprendi com ela muitas coisas e me divirto lendo. É um prazer, uma coisa que me faz bem e me deixa muito feliz. Logo, a gente se incomoda quando alguém critica uma coisa que nos deixa bem, certo?

Garcia MarquezGarcia Marquez

Nas últimas semanas, esse incômodo atingiu níveis mais altos enquanto fazia meu ensaio final para uma das disciplinas da faculdade, sobre mercado editorial infanto-juvenil no Brasil. Durante minha pesquisa, me deparei com diversos críticos “detonando” esse nicho literário e questionando seu valor. Respirei, segui em frente e passou. Esses dias, uma professora da escola que estudei me disse que meus professores de Literatura viviam reclamando que eu lia livros “idiotas” no intervalo ao invés de gastar meu tempo com Gil Vicente. Domingo a Bell comentou no Papo Literal sobre preconceito com ficção científica. Então eu li um post sobre “largadores de livros" na coluna Shakespeare Escrevia por Dinheiro no Meia Palavra. Depois eu li um post do Luiz Schwarcz no Blog da Companhiafalando de best-sellers - esse ano a Companhia das Letras tem dois na lista de mais vendidos, após anos sem figurar nela. Ontem estava navegando na internet e vi um comentário em um blog de um visitante que dizia “fulano lê Harry Potter, Percy Jackson, etc, etc, logo se vê que não tem gosto literário”. E hoje, uma pessoa que estudou comigo, sentou ao meu lado no ônibus e começou a me questionar a respeito da minha preferência em relação aos livros. Mas, o mais engraçado é que, quando essa pessoa citou seus autores favoritos, não havia nenhum cânone da literatura entre eles - ao contrário, alguns dos autores que ele enalteceu tem sua qualidade literária questionada frequentemente por muitos críticos. Não que isso faça alguma diferença para mim, mas se você está dizendo que eu leio coisas “ruins”, era de se esperar que você possuísse uma intimidade maior com nomes que ganharam o Nobel de Literatura.
Com tanto assunto assim, eu não poderia ficar quieta. Parece que estão me perseguindo com esse tema e eu acabei ficando com vontade de postar sobre isso aqui no blog. Como eu já disse, também tenho meus problemas com alguns tipos de livros - tenho vergonha, por exemplo, de andar lendo no ônibus livros com capas mais “calientes" -, e acho normal que cada um tenha sua restrição a algum gênero da literatura. Não curto livros de auto-ajuda (já li alguns e confesso que até teve um ou outro que me agradou), mas conheço gente que adora. Tem livros que um monte de gente ama e eu acho uma porcaria. Como leitora, estou no meu direito. Assim como você pode odiar aquilo que eu adoro (embora eu não entenda pessoas que não gostam de Jogos Vorazes, mas a amizade continua…). Mas, se eu leio Meg Cabot e você lê Gabriel García Márquez, isso o faz melhor que eu?

O problema é que ler virou questão de status para algumas pessoas. Afinal, quem não conhece aquela pessoa que enche a boca para falar que já leu A ou B, mas quando perguntamos o enredo ou qualquer outra coisa, a pessoa não lembra uma vírgula, mas é a primeira a te fuzilar porque você leu Crepúsculo semana passada?
Parece que é obrigação conhecer tal título, discutir sobre ele numa mesa de bar e desdenhar de quem não tem “capacidade intelectual” para perceber todas as nuances e a estética do texto de José Saramago. Esqueceu-se muitas vezes o prazer que um livro proporciona e transformaram a literatura em status, onde é legal cutucar Fulano por não gostar de Cicrano de Tal, que ganhou prêmio Nobel, Goethe e qualquer outra coisa que valha. Inventaram a categoria “livros porcaria” e questionaram a inteligência de quem escolhe esses tais livros.
Muitos best-sellers são efêmeros, chegam e daqui a dois anos ninguém lembra que eles existiram. Muitos leitores passam a vida presos a gêneros “sem qualidade” (muitas aspas aqui, odeio esse termo), outros “evoluem”. Esse nariz em pé de muitos leitores só afastam e diminuem o interesse de novos leitores a certos títulos, criam no leitor a ideia que eles não vão gostar de um clássico só porque ele é para ser lido para ser apreciado de longe, não para ser amado, vivido, desfrutado. Tanto o clássico quanto o livro de “consumo rápido” são para serem devorados, degustados, destrinchados. Os dois tem coisas a ensinar, a mostrar. Mas não se pode esperar que um leitor seja formado lendo Machado de Assis logo de cara. Ele precisa aprender aos poucos o quanto a leitura é prazerosa, sem influências externas e sem “leitores chatos”. O que importa é que a pessoa está lendo. Se ela cria esse vínculo e essa paixão pelo livro, ela vai acabar descobrindo novas coisas e se encontrando nesse universo. Logo, numa visão bem otimista, teremos cada vez mais leitores, que é uma formação lenta (e sabe o que mais leitores significa? Tiragens maiores. E o que isso significa? LIVROS MAIS BARATOS).

Monteiro Lobato

Como dizia Sr. Monteiro Lobato, “Um país se faz com homens e livros”. A literatura precisa ser popularizada, amada, aclamada. Leitura é identificação. Somos pessoas diferentes, logo nos identificamos com coisas diferentes. Então, se você ama Thalita Rebouças e seu amigo ama Graciliano Ramos, o melhor é conviver com essas diferenças, sem torcer o nariz para um ou outro. Ninguém é igual, então gostamos de livros diferentes e aprendemos com eles a nosso modo. Até um livro “bobinho” tem algo a ensinar. Então vamos trocar mais experiências e crucificar menos? É melhor aproveitar seu livro do que se importar com o que o amiguinho está lendo. Vamos parar de ler por status e ler por amor. Os leitores agradecem.

- Texto de Iris Figueiredo.

Posted 2 years ago
Posted 2 years ago
There is such a place as fairyland - but only children can find the way to it. And they do not know that it is fairyland until they have grown so old that they forget the way. One bitter day, when they seek it and cannot find it, they realize what they have lost; and that is the tragedy of life. On that day the gates of Eden are shut behind them and the age of gold is over. Henceforth they must dwell in the common light of common day. Only a few, who remain children at heart, can ever find that fair, lost path again; and blessed are they above mortals. They, and only they, can bring us tidings from that dear country where we once sojourned and from which we must evermore be exiles. The world calls them its singers and poets and artists and story-tellers; but they are just people who have never forgotten the way to fairyland.
L.M. Montgomery (via atomos)
Posted 3 years ago

Idiota, mas nem tanto…

Formas extremas de irritar a Fátima.

"I like to meet new people". Tudo bem, não encontro problema nenhum na sentença anterior: pessoas carismáticas e simpáticas gostam de transmitir o seu carisma e simpatia para outras pessoas. Legal. Apoio totalmente. Só não aprovo a forma como esta pessoa pretende conhecer novas pessoas: postando no Tumblr de pessoas que você segue, a mensagem de mudança de endereço e um link para o suposto novo URL. Você clica, para conferir e… Parabéns! Você foi o mais um usuário que terá aquela mesma mensagem repassada para os seus followers.

Diante disso, qualquer um pensa: “ok! É só eu retirar esse post do meu Tumblr”. Você deleta. Cinco minutos mais tarde, “NEW TUMBLR! FOLLOW ME…” aparece novamente na sua página. Você bufa pelas narinas ao perceber que mais quarenta mensagens iguais surgem novamente. Deleta todas. Para deixar você mais calminho, os posts mudam, variando entre: cartões presentes de U$500 da Walmart e iPad’s chegando pelo correio. Você pensa seriamente em matar aquela pessoa

No meu caso, esses posts não enganaram meus inteligentíssimos followers - inclusive os que não falam português e não entendem nada do que eu posto, mas são gentis - porque não sou intelectualmente apta para expressar as minhas ideias em inglês e sou meio protecionista quanto a língua-mãe; não seria agora que eu começaria a postar débil e repetidamente em inglês. 

Outro ponto: quem iria ficar se vangloriando que ganhou um vale-compras e um iPad? Eu tenho medo até de falar que tenho mais de R$ 20,00! Sou meio tapada, mas nem tanto…

Paralelamente a tudo isso, o sujeito quero-conhecer-novas-pessoas realmente ficou bastante popular, e seu número de “ask“‘s aumentou vertiginosamente. Só que os recados não são nada carinhosos.

Posted 3 years ago

A conspiração das mulheres

       

Quantas famílias vocês conhecem em que os rapazes são protegidos em relação às meninas? Eu conheci algumas. A garota estuda mais, começa a trabalhar cedo, corre atrás da vida e recebe pouca ajuda dos pais. Ela é tão eficiente em cuidar de si mesma que parece nem precisar de apoio, material ou afetivo. Avança sozinha. Enquanto isso, o garoto, ou garotos da casa, têm vida mais fácil. Estudam menos, demoram a buscar trabalho e moram com os pais até casar. Eles têm casa, comida, roupa lavada e, com sorte, até um carrinho. É uma situação muito comum na classe média.
Eu comecei a pensar sobre isso faz alguns anos, ao tomar contato com o ressentimento de uma filha que vivia uma história desse tipo.
Ela estava no início da carreira, tinha uma dívida pesada com a faculdade, e me contava, atônita, que o irmão mais novo recebia tudo de bandeja – a faculdade paga pela mãe, o carro que a minha amiga nunca teve, a facilidade de não ter de trabalhar até terminar o curso de informática… Minha amiga trabalhava desde os 17 anos. Como a historia é antiga, eu pude acompanhar seus desdobramentos. A amiga tornou-se uma profissional muito bem sucedida, orgulho da família e dos colegas. O irmão dela é trabalhador e pai de família dedicado. O que nunca mudou foi a relação difícil da amiga com a mãe. Ela já não reclama, mas acho que ainda se sente menos amada que o irmão. O ressentimento não desapareceu.
Sempre achei que esse tipo de tratamento especial em favor dos garotos era um caso de Édipo descarado. As mães amam tanto seus meninos que não conseguem evitar protegê-los e mimá-los. É uma compulsão. Eu sou filho caçula, único homem, sei do que estou falando. Ao mesmo tempo, sempre me pareceu que essa proteção tinha uma justificativa prática. Nessas casas, os meninos eram mais lentos que as meninas, pareciam precisar dos cuidados que recebiam. É como se as mães intuíssem uma fraqueza e apoiassem quem precisava delas. Quem é forte ganha o mundo, quem é fraco ganha um carro e uma mesada. Faz sentido?
Outro dia eu ouvi uma opinião divertida e provocativa sobre esse assunto.
Uma amiga me disse que o que vem acontecendo, há várias gerações, é uma espécie de conspiração inconsciente das mulheres em benefício das suas filhas. Como as meninas tinham e ainda têm muito a conquistar em relação aos homens, são ensinadas pela mãe destacar-se na escola e lutar pela vida, de uma forma dura e efetiva: as mães, nas palavras da amiga, empurram as filhas para fora do ninho, enquanto os irmãos ficam lá, de boca aberta, piando até por volta dos 30, ou depois. O que parece proteção para os meninos, diz minha amiga, é uma sacanagem de longo prazo contra eles. Se as meninas estudam mais, trabalham mais e são incentivas desde cedo a serem auto-suficientes, quantas décadas vai demorar antes que elas ponham os homens no chinelo e tomem o lugar de privilégio na sociedade?
Essa, conclui a minha amiga, é a conspiração secreta das mulheres. Ela deixa unhas e corações partidos no caminho, mas avança.
Você não precisa concordar com essa teoria para perceber que ela acerta no essencial – as famílias parecem estar preparando melhor as meninas do que os meninos para lidar com o mundo. Por alguma razão, há mais indulgência com eles, e os resultados estão por aí. Muitos homens chegam aos 30 anos achando que a vida é uma balada. A maioria das garotas entra nos 20 sabendo que a vida é uma corrida. Elas podem estar ressentidas com a situação, a relação delas com a mãe pode ser um desastre, mas isso não deve impedi-las de fazer mais com a própria vida, de chegar mais longe. Se elas quiserem e se houver justiça, claro. Mas isso é outra história.

- Ivan Martins, para a revista Época

Posted 3 years ago

You should date a girl who reads.

mols:

Date a girl who reads. Date a girl who spends her money on books instead of clothes, who has problems with closet space because she has too many books. Date a girl who has a list of books she wants to read, who has had a library card since she was twelve. Find a girl who reads. You’ll know that she does because she will always have an unread book in her bag. She’s the one lovingly looking over the shelves in the bookstore, the one who quietly cries out when she has found the book she wants. You see that weird chick sniffing the pages of an old book in a secondhand book shop? That’s the reader. They can never resist smelling the pages, especially when they are yellow and worn. She’s the girl reading while waiting in that coffee shop down the street. If you take a peek at her mug, the non-dairy creamer is floating on top because she’s kind of engrossed already. Lost in a world of the author’s making. Sit down. She might give you a glare, as most girls who read do not like to be interrupted. Ask her if she likes the book. Buy her another cup of coffee. Let her know what you really think of Murakami. See if she got through the first chapter of Fellowship. Understand that if she says she understood James Joyce’s Ulysses she’s just saying that to sound intelligent.  Ask her if she loves Alice or she would like to be Alice. It’s easy to date a girl who reads. Give her books for her birthday, for Christmas, for anniversaries. Give her the gift of words, in poetry and in song. Give her Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Let her know that you understand that words are love. Understand that she knows the difference between books and reality but by god, she’s going to try to make her life a little like her favorite book. It will never be your fault if she does. She has to give it a shot somehow. Lie to her. If she understands syntax, she will understand your need to lie. Behind words are other things: motivation, value, nuance, dialogue. It will not be the end of the world. Fail her. Because a girl who reads knows that failure always leads up to the climax. Because girls who read understand that all things must come to end, but that you can always write a sequel. That you can begin again and again and still be the hero. That life is meant to have a villain or two. Why be frightened of everything that you are not? Girls who read understand that people, like characters, develop. Except in the Twilight series. If you find a girl who reads, keep her close. When you find her up at 2 AM clutching a book to her chest and weeping, make her a cup of tea and hold her. You may lose her for a couple of hours but she will always come back to you. She’ll talk as if the characters in the book are real, because for a while, they always are. You will propose on a hot air balloon. Or during a rock concert. Or very casually next time she’s sick. Over Skype. You will smile so hard you will wonder why your heart hasn’t burst and bled out all over your chest yet. You will write the story of your lives, have kids with strange names and even stranger tastes. She will introduce your children to the Cat in the Hat and Aslan, maybe in the same day. You will walk the winters of your old age together and she will recite Keats under her breath while you shake the snow off your boots. Date a girl who reads because you deserve it. You deserve a girl who can give you the most colorful life imaginable. If you can only give her monotony, and stale hours and half-baked proposals, then you’re better off alone. If you want the world and the worlds beyond it, date a girl who reads. Or better yet, date a girl who writes.

- Rosemarie Urquico (In Response to Charles Warnke’s You Should Date An Illiterate Girl.)

Posted 3 years ago

Ostentação

"Parece que até os batismos viraram grandes festas. Hoje você não consegue jogar uma água na testa do seu filho sem que isso envolva ao menos quinze pessoas." - Juliana Cunha

Quando uma garota (razoavelmente abastada, diga-se de passagem) se depara com os seus 15 anos, ela é bombardeada com a dúvida alimentada pelos pais: festa ou viagem?

Já me coloco perante a esta questão (eu sei - Tia Gizele - que é errado se posicionar no segundo parágrafo…): mil vezes a viagem. Mas, antes de tudo, qual é o verdadeiro motivo de glorificar o aniversário de 15 anos no século XXI? No século V, era conveniente um pai apresentar sua “filha que virou mulher” para a sociedade elitizada e organizar uma festa monstruosa, pois mais tarde ambos ganhariam com aquilo… Mas hoje? 

Depois de nos posicionarmos cronologicamente, outro enigma que cerca as festas de debutante é a escolha da música: ao que parece, existe um padrão preestabelecido que começa pela valsa e termina com o pior dos funks. Viagem: 2; festa: 0.

Ponto 2. Para quê gastar tanto para ver os outros se divertindo, enquanto você está ocupada trocando mais uma vez o seu 1535768º vestido? Ou talvez, seja o sonho de ser princesa por uma noite e ser paparicada com elogios? Essas pessoas realmente não conhecem o Lookbook?

Ponto 3. Caso você esteja com suas faculdades mentais em um padrão normal, e optar por uma viagem, você aproveitará não apenas um dia; não precisará ficar trocando de vestido infinitas vezes; nem fingindo que gosta de funk; e você é que irá se divertir, não os seus convidados.

Falando em convidados… Existem três tipos de pessoas (além dos penetras, é claro) em uma festa de quinze anos: família, seus verdadeiros amigos e colegas populares que você convocou para mostrar que quer ser um deles. Este último são os que não trazem presente (desculpa, mas você prepara uma festa monstruosa e não recebe nada é um pouco lamentável) e tentam competir com a anfitriã para quem chama mais a atenção.

Creio que já dei motivos suficientes para qualquer um sanar a dúvida…

Posted 3 years ago
journeytoskinnyy:

Just stop reblogging pretty girls in bikini’s and shirtless boys for a second and reblog this, please.

journeytoskinnyy:

Just stop reblogging pretty girls in bikini’s and shirtless boys for a second and reblog this, please.

(Source: tea-and-a-little-bit-of-love)

Posted 3 years ago
Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias. Esvaziei a mala, olhei no fundo dela, limpei, e estou indo preenchê-la com coisas novas. Sensações novas, situações novas, pessoas novas. Tudo novo.
Caio Fernando Abreu

(Source: giu-lianna)

Posted 3 years ago

Révérence

@_Isadorable_ ,

As suas piruetas triplas (quádruplas, quíntuplas, …), as passagens humilhantes dos exercícios de grand jeté, os port de bras involuntários, os desenhos graciosos, as empadinhas de frango da Pronner, as antigas madeixas rosas irão deixar muita saudade. Não somente eu - mas toda a Quebra-Nozes - iremos sentir a lacuna da barra móvel. Apesar da perda, desejo o melhor e que nunca abandone a alegria e a espontaineidade. O Ballet Guaíra tem grande sorte em recebê-la.

                                                                                        Muitos aplausos,

                                                                                                      Fátima